sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mulheres Profundas / Animais Superficiais de Howard Barker


« Entendo por dignidade a perspectiva de uma terrível indecência »
Howard Barker

Porto
De 09 de Junho a 04 de Julho no Estúdio Zero
Terça a Sábado às 21h45
Domingo às 17h00
M/16


Mulheres Profundas/Animais Superficiais
de Howard Barker



Tradução│ Paulo Eduardo Carvalho
Encenação│ Rogério de Carvalho
Assistente de Encenação│ Ricardo Couto
Dramaturgia│ Rogério de Carvalho, Boas Raparigas,Ricardo Couto
Cenografia│ Cláudia Armanda
Desenho de Luz │ Jorge Ribeiro
Sonoplastia│ Luís Aly
Figurinos │ Bernardo Monteiro, Ana Novais
Design Gráfico│Sandra Nicolau
Elenco│ Carla Miranda,Maria do Céu Ribeiro,Miguel Eloy


SINOPSE

Duas mulheres. Um cão mecânico. Depois de uma mudança, uma revolução, uma guerra.
Estas duas mulheres estão num espaço queimado, onde toda a vida desapareceu.
Card era criada de Strassa antes desta ‘alteração’.
A antiga criada veste traje rigoroso. A antiga senhora em roupas rasgadas, destruídas pela mudança.
Agora que as relações de poder foram varridas, o desejo pode aparecer. O desejo do marido de Card (existe ele?) por Strassa pode reconhecer-se e tornar-se o centro da relação delas.
Aos pés de ambas um cão mecânico. Ele ladra, ele mia, ele levanta uma pata, ele sai, ele entra, ele prende e leva peças de roupa.
Card e o cão tornam-se os advogados do marido junto de Strassa.
Card pelas suas palavras, o cão pelos seus movimentos, pedem a Strassa que se encontre o marido.
Mas não é o desejo secreto entre as duas mulheres que é o centro deste texto? Não é a descrição de um mundo de onde os homens teriam desaparecido?

MULHERES PROFUNDAS / ANIMAIS SUPERFICIAIS

Howard Barker que refuta fazer um teatro político aborda a política por esta revisitação dos benefícios do poder nas relações criada-senhor que já foram abordados no teatro clássico e que passam aqui pela possessão do corpo. Ele aborda igualmente o erotismo sádico e a sua interdependência com uma sociedade regulamentar e hierarquizada segundo a análise de Michel Foucault. Por algures, nesse opus, onde se situa a realidade? Não nos encontramos numa cerimónia ritual à maneira de Jean Genet em "As criadas" ou mais prosaicamente num jogo de papéis catárticos em redor de um cenário erótico funesto? O cão mecânico, muito evidentemente um emissário do desejo do homem invisível, já não será um cão, mas o simétrico do pássaro autómato de "Casanova" de Fellini, símbolo da realização sexual masculina? Não ataca Howard Barker o mito do sexo?

AUTOR
Howard Barker

Howard Barker nasceu em 1946 em Dulwich. Artista polimorfo, exprime-se igualmente bem através da escrita, da pintura e da poesia. A sua primeira peça foi produzida no Royal Court em 1970 quando, juntamente com Caryl Churchill, Howard Brenton e David Hare, ele foi visto como parte de uma mão repleta de jovens dramaturgos promissores de peças políticas com uma agenda progressista nos palcos britânicos. Ao contrário dos seus parceiros, no entanto, Barker não cresceu para a popularidade, e isto deve-se em parte à difícil ‘marca’ frequentemente usada para caracterizar as suas produções pelos críticos londrinos. Mesmo com esta resistência, ele cultivou um corpo de trabalho que lhe deu outra reputação: a de dramaturgo dos actores. Quando os palcos do Royal Court e da Companhia Royal Shakespeare já não acolhiam as suas obras, em 1988, actores de ambas as companhias criaram a Wrestling School, uma companhia de teatro devotada exclusivamente à encenação das suas peças. Nesta altura a sua dramaturgia abandonou o impulso ideológico e didáctico do seu trabalho inicial. Como os críticos falharam ou se recusaram a acompanhar esta mudança, em 1986 Barker começou a escrever textos teóricos em notas de programa, artigos de imprensa, e seminários, antes de os reunir num volume Arguments for a Theatre em 1989, expandido com edições subsequentes em 1993 e 1997. Desenvolveu a Teoria do “Teatro da Catástrofe “que se dirige a todos aqueles que sofrem de uma
‘imaginação deficiente’ e que sentem um ‘desejo desarticulado de especulação moral’. Aos 64 anos tem uma obra de quatro dezenas de peças, um libreto de ópera,
argumentos para cinema e televisão. A sua peça de quinze horas The Estatic Bible em 2000, a sua revisão de Elsinore e o mito de Hamlet com Gertrude – The Cry em 2002, e a Seduction of Almighty God em 2006 prova a sua visão trágica tão afiada como sempre, com um corpo de trabalho que é avassalador na sua respiração e profundidade.
Demasiado clássico para a vanguarda, demasiado vanguardista para o teatro estabelecido, Barker continua por classificar-se a si mesmo.
“Nestes tempos – diz ele – em que o sofisma predilecto da indústria e do divertimento é fazer de conta que os doidos deprimidos têm sede de canções e de esquecimento”, o seu teatro vai em direcção oposta e inverte toda a verdade manifestada. O seu teatro nem é o lugar da reconciliação, nem o da consolação, não tem por fim a solidariedade, dirige-se sim à alma “onde ela sente a sua própria diferença”.

Descrito pelo Times como um dos “maiores dramaturgos vivos do Reino Unido”, Barker mostra trabalho como encenador com uma estética distintamente europeia, no seu tom abstracto, visualmente não naturalista, que contribui directamente para a expressão e objectivo do seu trabalho.
Ideias poéticas, poderosas e provocatórias e um imaginário vívido criam uma interessante e nova forma teatral. Barker desafia as preocupações do teatro contemporâneo britânico, com temas sócio-políticos e um teatro físico capaz de manter a linguagem poética no coração do teatro.

A companhia de Teatro As Boas Raparigas, levou à cena quatro dos seus textos, dos quais três se apresentaram agora editados pela Companhia em parceria com a editora Temas Originais: As Possibilidades, (Tio) Vânia e Mãos Mortas.

Estúdio Zero -Rua do Heroísmo nº 86, (junto à estação de metro do Heroísmo) Porto. Informações e reservas │225 373 265 begin_of_the_skype_highlighting 225 373 265 end_of_the_skype_highlighting begin_of_the_skype_highlighting 225 373 265 end_of_the_skype_highlighting│961 487 507 │asboasraparigas@gmail.com M/16

segunda-feira, 19 de abril de 2010

IREMOS A MONTECARLO


IREMOS A MONTECARLO nos dias 23 e 24 de ABRIL no ESTÚDIO ZERO - PORTO

TEATRO |
ASSOCIAÇÃO ARQUENTE

Estúdio Zero - PORTO Rua do Heroísmo, 86 | 4300 - 254 Porto

Tel/Fax: 225 373 265 | Tlm: 961 487 507
--
Arquente - Associação Cultural
: http://www.arquente.org
: arquente@gmail.com

terça-feira, 16 de março de 2010

Acolhimento no Estúdio Zero "Terra sem palavras"

Cartaz de Terra sem Palavra sobre imagem de Ana Pereira


Terra sem palavras (Land ohne Wort, 2008)

de Dea Loher



27 de Março a 11 de Abril*

Terça a sábado: 21.30h

Domingo: 16.00h

*excepto 4 de Abril




Tradução Maria Hermínia Brandão
EncenaçãoJoão Cardoso
CenografiaSissa Afonso
FigurinosBernardo Monteiro
Desenho de LuzNuno Meira
Sonoplastia Francisco Leal
Vídeo Victor Leite

InterpretaçãoRosa Quiroga

Assistente de ProduçãoRosário Romão

Operação de Luz, Som e Vídeo Igor Pittella

Construção de cenárioTudo Faço
Fotografia de cena Ana Pereira
Imagem gráfica Fuselog


Espectáculo para maiores de 12 anos.

Duração: cerca de 50 minutos

Sinopse:

Uma artista sem nome, sozinha no seu atelier, questiona a finalidade e a própria possibilidade da criação artística. No rescaldo de uma sua visita recente a K. (que pode ser Kabul, no Afeganistão), uma cidade distante destruída pela guerra, ela viu o seu trabalho criativo paralisado. Ela sabe que a arte tem ainda lugar num mundo completamente devastado, mas só na medida em que conseguir articular tal devastação. Não se trata da beleza pela beleza, mas de um labor de revelação, ruminação e realidade. Tentando dar forma pictórica às suas experiências, a artista é confrontada pela inefabilidade dos horrores que testemunhou. Muito embora esteja certa de conseguir captar a imagem de K., ela interroga-se sobre a sua capacidade de manifestar a sua essência, numa torturada e perturbadora mediação sobre as possibilidades e limites da expressão estética.


Texto sobre Dea Loher, de Maria Hermínia Brandão

Um dos autores dramáticos de maior sucesso na Alemanha de hoje, Dea Loher nasceu em Traunstein em 1964. Formada em Estudos Germânicos e em Filosofia, viveu por uns tempos na América do Sul. De volta à Alemanha, instalou-se em Berlim, onde trabalhou na rádio e frequentou um curso de ‘Escrita para o palco’ com Heiner Müller e Yaak Karsunke. Em 1991 estreou no Ernst Deutsch Theater de Hamburgo a sua primeira peça, ‘O quarto de Olga’.
Com um total de 17 peças publicadas (na editora Verlag der Autoren de Frankfurt), é autora ainda de um libretto para uma ópera e de textos em prosa. Foram-lhe atribuídos inúmeros prémios, entre eles dois pela revista da especialidade Theater heute – em 93 e 94, como ‘dramaturga emergente’, e em 2008, pela peça ‘O último fogo’ –, o prémio de incentivo para novos autores dramáticos em memória de Schiller em 95 e o prémio literário Bertolt Brecht em 2006. Considerada uma das vozes mais originais na Europa de hoje, as suas peças foram já traduzidas e representadas em diversos países. Estão publicadas em português ‘Tatuagem’ e ‘Inocência’, em tradução de José Maria Vieira Mendes (nº 34 dos Livrinhos de Teatro dos Artistas Unidos, edições Cotovia). Desta segunda peça há uma outra versão, ‘Imaculados’, de João Lourenço e Vera Sampayo de Lemos, para o Teatro Aberto.
Embora as suas personagens, maceradas por um quotidiano alienado e violento, persigam sonhos que nunca chegam a realizar, não são criaturas fatalistas. Persistentes e combativas, procuram sem cessar respostas que não encontram à sua volta, na vida organizada, nas instituições, num deus em que não acreditam. Se em alguns casos a procura da morte voluntária parece ser a única saída, muitas respostas surgem inopinadamente de um gesto inesperado de amor e de carinho (o emigrante ilegal que oferece a pequena fortuna que achou por acaso para pagar a uma cega a operação aos olhos, a desconhecida que leva a entrevada a passear, em ‘Inocência’, a irmã mais velha, violada pelo pai, que deixa o marido e regressa a casa para se sacrificar pelo futuro da irmã, em ‘Tatuagem’, a mãe que encontra o amor junto do homem estranho que assistiu impotente ao desastre do filho, em ‘O último fogo’). ‘A utopia é um sonho não realizado que ninguém está em condições de perder’.

Após a experiência de uma guerra concreta vivida aquando da sua estadia de trabalho em Kabul, Dea Loher põe em dúvida a capacidade do artista para recriar essa vivência, a desumanidade, a pobreza, o desespero. A exemplo de Brecht, para quem escrever ‘um poema sobre árvores’ era ‘quase um crime’, pois significava um calar sobre outras coisas desses ‘tempos sombrios’ que eram os dele. Mas no caso de ‘Terra sem palavras’ (2007) não é um escritor que emudece, é uma pintora, uma artista plástica, que questiona uma crença arreigada no valor intrínseco da criação artística, confrontada agora com imagens reais a que a sua pintura não consegue corresponder: será a arte capaz de chegar próximo do sofrimento de um ser humano?

Estaremos perante um novo teatro político e histórico, será o regresso do teatro dramático? Chamem-lhe uns moralista, outros trágica, nas palavras de Uwe Wittstock quando da atribuição do prémio Bertolt Brecht, «há uma coisa sobre a qual o mundo do teatro acabará um dia por estar de acordo: a obra de Dea Loher é pura e simplesmente loheresca.»


Bilhete normal: 8 €
Bilhete Estudante, Cartão Jovem, Sénior e Grupos + de 10 pessoas: 5 €
Bilhete Estudante de Artes: 2,50 €

Estúdio Zero
Rua do Heroísmo, 86 (junto à estação de metro do Heroísmo)

INFORMAÇÕES E RESERVAS

ASSÉDIO – Associação de Ideias Obscuras
Rua Nova da Alfândega, nº7, sala 202 / 4050 – 430 Porto
T. 22 33 89 877
www.assedioteatro.com.pt / assedio@vodafone.pt