quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Jardim Zoológico de Cristal

video


Jardim Zoológico de Cristal
de Tennessee Williams
tradução Fernando Villas Boas

Porto

De 3 a 13 de Dezembro no Estúdio Zero
Terça a Domingo │21h30

M /12



encenação Nuno Cardoso
assistência de encenação Vítor Hugo Pontes
cenografia Fernando Ribeiro
figurinos StoryTaylors
desenho de luz José Álvaro Correia
sonoplastia Luís Aly
elenco
Maria do Céu Ribeiro, Micaela Cardoso, Luís Araújo, Romeu Costa
voz e elocução João Henriques
maquilhagem Marla Santos
vídeo Nuno Beira
web João Beira
comunicação Filipa Sampaio
design gráfico João Faria
direcção de produção Mauro Rodrigues
gestão José Luís Ferreira


Depois de “Platonov”, de Anton Tchekov, espectáculo que mereceu uma Menção Especial da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, o Prémio de Melhor Espectáculo do Guia dos Teatros e a designação pelo jornal Público como “Melhor Espectáculo” de 2008, Nuno Cardoso leva agora à cena a peça “Jardim Zoológico de Cristal”, de Tennessee Williams.


Sinopse

Jardim Zoológico de Cristal é uma peça-memória: toda a acção é despoletada pelas evocações de um narrador, Tom Wingfield, também ele personagem da peça. Tom é um poeta aspirante, que trabalha num armazém de sapatos para sustentar a família: Amanda, sua mãe, e Laura, sua irmã. O pai, funcionário da companhia dos telefones, desapareceu há anos e, à excepção de um breve postal, nada mais se soube dele desde então.
Amanda, nascida numa família bem do Sul, presenteia regularmente os filhos com histórias da sua juventude idílica e das dezenas de pretendentes que então a cortejavam. Vive angustiada pelo defeito físico da sua filha Laura e pela sua incorrigível timidez, que a mantêm afastada do mundo e dedicada exclusivamente à sua colecção de animais de cristal. Para lhe garantir um futuro, inscreve-a numa Escola Comercial, unicamente para vir a descobrir que a incapacidade relacional da filha a levou a abandonar as aulas para vaguear sozinha pela cidade. Perante o insucesso escolar e profissional da filha, Amanda decide que o casamento é a única solução.
Tom odeia o seu trabalho no armazém, refugia-se na bebida (repetindo os passos do pai ausente), no cinema (espécie de álibi para todas as suas ausências) e na literatura, para desgosto da sua mãe. Depois de um dos frequentes momentos de discussão entre os dois, Tom cede aos pedidos insistentes da mãe e convida para jantar um seu colega de trabalho, com o objectivo de o aproximar de Laura.
E assim entre Jim O’Connor, um ‘rapaz normal’, confiante no futuro, psicólogo empírico, que descobre rapidamente a natureza de Laura e não consegue evitar jogar com ela o jogo da sedução, concretizando aparentemente os desejos de Amanda e abrindo finalmente o coração de Laura. Porém, como diz Amanda, «as coisas têm uma tendência para correr tão mal» …

O Projecto

Tom: «Eu sou o narrador e, ao mesmo tempo, personagem da peça. As outras personagens são a minha mãe, Amanda, a minha irmã Laura, e um convidado, que aparece nas cenas finais. Ele é a personagem mais realista da peça, o emissário de um mundo de realidade de que nós estávamos de certo modo afastados. Mas, já que tenho uma fraqueza de poeta por símbolos, vou usar esta personagem também como um símbolo. Ele é aquele não-sei-quê sempre adiado, mas sempre esperado, por que vivemos. Há uma quinta personagem nesta peça, que só aparece numa fotografia em tamanho maior que o real, por cima da lareira. É o nosso pai, que nos deixou há muito. Era um homem dos telefones que se apaixonou pelas longas distâncias. Desistiu do emprego na companhia telefónica e foi-se daqui, a cantar à chuva…»
A obra de Tennessee Williams traz-nos uma galeria de personagens singulares, pessoas que são símbolos embora sofram e vivam como pessoas normais. O ‘realismo poético’ que marca toda a sua obra oferece-nos um mundo quase igual ao que conhecemos, mas deslocado para uma leitura simbólica que nos faz questionar estas personagens tal como nos questionamos a nós próprios. Partindo de uma narrativa/memória com fortes marcas autobiográficas, Williams inspira-se em Tchekov para nos oferecer pessoas ordinárias que parecem carregar sobre si as angústias, os dilemas, o desejo de felicidade de toda a humanidade.
A escolha deste texto sintetiza todo um programa artístico: o reexercício, por uma equipa jovem, mas com créditos firmados no seu trabalho colectivo, de um modelo criativo que desafia uma linguagem de aparente verosimilhança e imediatismo mimético para chegar a uma linguagem que ponha em jogo o actor e o espectador português neste ano de 2009. Ou seja, a busca de uma desmontagem, de uma desconstrução, que afirme, paradoxalmente, o construído, o acumulado, na busca de uma linguagem artística do presente.
Nesta peça, a construção cénica complexa – em planos de espaço desencaixados que ilustram uma flutuação entre diferentes planos temporais e emocionais – propõe uma utilização especialmente codificada das áreas de representação, a projecção de legendas escritas e de imagens realistas ou simbólicas, bem como o uso persistente do comentário musical em ligação íntima com o texto, o que exigirá uma orquestração peculiar das diferentes especialidades no sentido de cumprir as disposições do guião proposto por Williams, ou de lhe criar variantes.


uma produção Ao Cabo Teatro
em co-produção com Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), Teatro Viriato (Viseu), Teatro Aveirense, Theatro Circo de Braga, As Boas Raparigas… (Porto)



Estúdio Zero - Rua do Heroísmo, 86 (Metro do Heroísmo)

INFORMAÇÕES E RESERVAS
225 373 265
asboasraparigas@gmail.com
estudio0.blogspot.com
espectáculo apoiado pela Direcção-Geral das Artes/Ministério da Cultura

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ACOLHIMENTO NOVEMBRO

DOR FANTASMA
De Manuel Bastos


Com encenação de Mário Trigo
Co-produção teatromosca e Teatro Focus



Estreia dia 20 de Novembro, às 21.30h
dia 21 de Novembro, às 21.30h
no Estúdio Zero [Porto]
maiores de 16 anos
bilhetes a 5 €




Desde 2007, o teatromosca vem apresentando um ciclo de espectáculos/apresentações dedicado ao tema da guerra colonial. Assim, em 2008, foram apresentadas três “fases preparatórias” do projecto teatral IGNARA#GUERRA COLONIAL, que culminará, em 2012, com a apresentação do espectáculo final homónimo. Em 2009, estreou o espectáculo “INFA 72”, com texto de Fernando Sousa, encenação de Mário Trigo e interpretação de Paulo Moura Lopes. Paralelamente, será produzido o espectáculo “Dor Fantasma”, uma co-produção do teatromosca com o Teatro Focus e a Fábrica da Pólvora - Clube Português de Artes e Ideias, com estreia agendada para dia 20 de Novembro de 2009, no Estúdio Zero, no Porto.


Este espectáculo constitui-se como um «monólogo a duas vozes», no qual duas personagens – um combatente e uma mulher- relatam episódios da «sua guerra», avaliando-a até às suas ínfimas, imponderáveis consequências.
Os «fait-divers» do teatro de guerra- entenda-se, o conjunto de acontecimentos que, em meio do caos, instituem essa espécie de perverso «padrão de normalidade»- são permanentemente desmontados pelo olhar lúcido, clínico, distanciado das personagens, apostadas em transmutar o horror da guerra em material de reflexão política (apartidária) ou em exercício extremo de auto-conhecimento.
A deliberada inclusão da personagem feminina na colagem de que o guião resulta- caucionada pela tematização que Manuel Bastos, atentamente, lhe vota- corresponde à candente necessidade de reconhecimento do papel (ainda hoje secundado) que a mulher portuguesa desempenhou antes, durante e depois do conflito armado aduzido.


PONTO DE PARTIDA


Há uma geração inteira de ignorantes da Guerra Colonial. Filhos de ex-combatentes que, sobre o assunto, sabem, apenas, os fragmentos descosidos que os pais resgatam (quando resgatam), do côncavo doído da memória. Toponímias impronunciáveis, apelidos de camaradas de armas, clímaxes sangrentos, aerogramas, álbuns de retratos.
Enquanto «é cedo» (Herodes) ou «é já tarde» (Pilatos) para que o País se reconcilie com um dos mais importantes e decisivos processos da história contemporânea portuguesa, o tema é, ainda, tabu de programas escolares que chutam a guerra colonial para as últimas páginas dos compêndios.
A América, mais «publicitária», exorciza o Vietname e seu chorrilho de heróis e anti-heróis. Mal ou bem, o cinema, a literatura, os media revelam aos americanos a sua fealdade real. Transmuta o horror da guerra no ouro alquímico do auto-conhecimento, resgata os seus fantasmas.
Nós? Também tivemos a nossa conta de massacres (por exemplo, o de Wiriyamu, Chawola e Juwau, em Moçambique), de bombas de napalm (por exemplo, em Mata Bala, Nambuangongo e Zala, no norte de Angola), de deficientes (quinze mil, quinhentos e sete mutilados com deficiência permanente, segundo estatística do Estado Maior do Exército).
«Guerra não escolhe», diria um activista da UPA, o movimento independentista angolano que despoletou o massacre de dois mil colonos portugueses e seis mil dos seus trabalhadores bailundos, no norte de Angola, acendendo o rastilho da guerra. De um lado e do outro, portugueses, angolanos, guineenses, moçambicanos, personagens de um teatro abjecto: o da guerra.
No espaço de 13 anos, de 61 a 74, cerca de oitocentos mil homens, rumaram a Angola, Guiné e Moçambique para defender as «colónias» ou «províncias ultramarinas» (como lhes chamou, sucessivamente, Salazar e Caetano) das mãos dos independentistas. Resultado: Oito mil e quinhentos mortos do lado português. Do lado africano, as contas estão, ainda, por fazer. Mas contam-se, pelo menos, em dezenas de milhar.
Nós, 33 anos depois da Revolução de Abril - que determinaria o fim da veleidade imperial do Estado Novo, abrindo portas à descolonização -, permanecemos analfabetos para o tema, com o trabalho de casa por fazer. Porquê?

DOR FANTASMA

A encenação que se pretende para o projecto teatral denominado Dor Fantasma, terá por princípio fundamental circunscrever-se aos vectores dramatúrgicos emanentes dos textos escritos por Manuel Bastos.
Recorrendo à competência técnica e artística de dois actores, lançar-se-á sobre o espaço cénico uma invocação da realidade concreta em questão - a guerra colonial portuguesa e seus protagonistas.
Os elementos constituintes de cena, criteriosamente aí dispostos a fim de elaborarem uma narrativa dramática coerente, terão por norma fracturar os testemunhos/documentos reais legados pela história e seus contextos, vertendo-os para o espectador como ficção possível.
Por seu lado, o espectador reconhecerá nos conteúdos veiculados pelo espectáculo um fundo material germinado fora de palco, recebendo-o então como meio transmissor de denominadores comuns a todas as guerras.
Esta dialéctica fará então desdobrar a área cénica pelas diferentes imagens mentais derivadas da vivência empírica de cada um dos espectadores, optimizando assim o potencial literário de partida, convertendo-o em prática teatral de uma comunidade que pretende reflectir o seu património histórico.

SOBRE O AUTOR

Manuel Correia de Bastos nasceu na vila de Aguim, no concelho de Anadia, em 1950.
Foi mobilizado para ex-colónia de Moçambique com o posto de furriel miliciano, no cumprimento do serviço militar obrigatório, onde chegou no dia 12 de Fevereiro de 1972 até ser gravemente ferido em combate no dia 4 de Junho de 1972, devido à deflagração de uma mina anti-pessoal.
Tem escrito crónicas sobre a guerra colonial especialmente no Jornal da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, e mantém desde 2003 um dos mais antigos Blogs sobre a Guerra Colonial, O Cacimbo, em http://cacimbo.blogspot.com/.
Embora a crítica especializada ainda não tenha «descoberto» este autor seminal, trata-se, sem dúvida, do ponto de vista literário, uma das vozes mais surpreendentes que têm, nos últimos anos, riscado a oferta editorial sobre o tema, ombreando, sem dúvida, com nomes tão fundamentais como António Lobo Antunes, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Fernando Assis Pacheco, entre outros.
Da sua escrita pode destacar-se o modo como, glosando um tema tão «obsceno» como é a guerra (a sua, de um modo muito particular), consegue, munindo-se de metáforas límpidas e eficazes, atingir um lirismo de profundo fôlego filosófico de pendor filantrópico.


SOBRE O ENCENADOR

Mário Trigo, fundador e Director Artístico da Associação Cultural Teatro Focus, tem vindo a trabalhar, de há seis anos a esta parte, textos sobre a guerra colonial. Em 2006, com efeito, fechou- com Companhia de Caçadores, em cena na Casa dos Dias da Água, em Lisboa (espectáculo contemplado com um apoio pontual do Instituto das Artes)- um ciclo de três encenações subordinadas ao tema (as outras duas foram Violeta- Puta de Guerra, em cena na Sala-Estúdio do Teatro da Trindade, em 2004; e Infa 72, no Teatro Taborda, 2002) todas em colaboração com o dramaturgo (e ex-combatente) Fernando Sousa. As suas encenações têm merecido a aclamação da crítica, pelo rigor, qualidade e coerência demonstrados.


Ficha Artística e Técnica

Designação do espectáculo|«Dor Fantasma - a partir de textos de Manuel Bastos»
Encenação|Mário Trigo
Dramaturgia|Paulo Campos dos Reis
Interpretação|Filipe Araújo e Susana Gaspar
Movimento|Diana Alves
Grafismo|Alex Gozblau
Direcção de produção|Pedro Alves
Co-produção|teatromosca e Teatro Focus


Estúdio Zero - Rua do Heroísmo, 86 (Metro do Heroísmo)

INFORMAÇÕES E RESERVAS
914 616 949
teatromosca@gmail.com
http://teatromosca-retratinhos.blogspot.com